Thursday, January 19, 2012

Do Sexo, versão Passageiro Frequente

Deve ser porque o Inverno está atípico e as hormonas se baralham de cada vez que o sol espreita, em vez de estarem sossegadinhas a hibernar, mas anda novamente pela blogosfera a eterna discussão sobre a frequência do sexo versus a sua qualidade. Como se houvesse "versus".

Já aqui escrevi (ver O Sexo e a Comida, dezembro de 2011) que "O sexo renova-se. Redescobre-se todos os dias. Melhora-se com o treino, com o envolvimento, com o conhecimento mútuo, com a exploração, com a fruição.". E dizia na altura que "Racionar só «para ser melhor quando acontece» é manipular artificialmente a oferta e a procura." 

E mesmo numa perspectiva que não a do racionamento, se abordarmos o tema pelo prisma da falta de vontade, pura e simples, há uma coisa que toda a gente diz, e outra que pouca gente parece ter coragem de assumir:

O que toda a gente diz é que a vontade de fazer sexo depende disto, e daquilo, e dos problemas pessoais, e dos problemas profissionais, e do stress, e dos miúdos que gritam, e da líbido, e do cansaço. É verdade. Depende disto tudo.

O que ninguém parece assumir é isto: a vontade de fazer sexo depende de o sexo ser bom, de dar tesão, de dar desejo, de dar orgasmos e prazer e libertar químicos variados pelo corpo fora. De ser uma coisa que se quer realmente fazer, e que nos envolve e nos consome a cem por cento pelo menos enquanto dura.

Para isso é preciso alguma coisa: transparência, à vontade, cumplicidade, alguma química, um tudo nada de jeito, mas acima disso a capacidade de falar e sobretudo de ouvir. E tantas vezes o que falha é mesmo aí.

19 comments:

  1. Verdade... Porque para tudo o resto há, dizem, um comprimido azul ;)

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  2. Dar e receber são faces da mesma moeda. Companheirismo, respeito, intimidade e toque são fundamentais. Aceitação e cumplicidade fortalecem a experiência sexual. O "antes" e o "depois" são momentos de envolvimento e produzem a sensação confortante de proximidade e de aconchego.
    Sem comunicação (falar, seja por mímica ou através de mimos, ouvir também os silêncios) não há cumplicidade. Quando ela existe, as emoções e os sentimentos mais profundos são tocados e num instante parece que toda a armadura usada como forma de protecção se desfaz, trazendo à tona um sentimento de vulnerabilidade e exposição.

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  3. Josh, lá está, desde que as pessoas falem, o resto resolve-se. (isto das tiradas simplistas fica sempre bem ;) )

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  4. Aqui sou eu que manifesto a minha absoluta concordância.
    Dois pontos de convergência, nos dias que correm, já dá quase para falar em almas gémeas, ou não?
    :)

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  5. Shark, se descontássemos a piroseira da coisa... :)

    Mas não é mau ver que ainda vive quem nos perceba.

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  6. "capacidade de falar" - pode-se ter disso em excesso? talvez para compensar aqueles (tristes)que não têm nenhuma ?
    R

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  7. R, olha que eu acho que já (ou)vi disso ;)

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  8. Tu não mostres isto ao gajedo que não tarda tens a loja cheia :D

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  9. Não é "tantas vezes", eu diria que as coisas falham exactamente porque não há abertura para falar delas. Se o sexo não é tão bom como isso pode melhorar-se.
    Agora a falta de tesão é que me preocupa. Porque sempre achei que era daquelas coisas que quando se perde dificilmente se renova com a mesma força.

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  10. Jibóia, :)

    Rosa, a tesão é uma coisa silvestre, mas também se rega...

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  11. A vontade só por si também nos pode consumir enquanto não é satisfeita. Como é que se explica o inexplicável sem fazer figura de idiota e não assustar ninguém? Como se explica que é preciso fazer alguma coisa, que uma gaja precisa de paz e de expiar isso que ela não sabe explicar e que enquanto não o fizer não tem descanso?
    R

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  12. R, a vontade não satisfeita consome, e arde, e queima. E pode destruir-nos, fazer de nós - temporária ou até definitivamente - pessoas diferentes.

    O que não sabemos explicar não se explica. Diz-se apenas, e aceita quem aceita. E entre revelar-nos e escondermo-nos, tudo depende de quanto tempo queres que as coisas durem. Quanto tempo se consegue viver sem nos mostrarmos? (muito, eu sei. às vezes uma vida. mas não é destino que toda a gente queira)

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  13. Por isso tem de se satisfazer, certo? Enquanto ninguém disser preto no branco que dali não levo nada, nem uma amizade (o que seria uma tremenda parvoíce devido ao que já se investiu e por eu ser só por mim um óptimo investimento sob todos os pontos de vista) é difícil largar, mesmo que já se tenha decidido isso as vezes suficientes para se chegar à conclusão que não vale a pena continuar a decidir vezes sem conta que é pura perda de tempo se não for para ser de vez. Será que me fiz entender?

    E eu já me mostrei, sem me expor muito é certo, mas não adiantou nada. Diz-se como, se não há maneira de o fazer?
    R

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  14. R, por vezes temos de, como se diz no poker, "call the bluff". Passar ao "sim ou sopas". Sabendo que o risco é de que "sopas". A alternativa é esperar, acreditando que "o tempo" resolva o que ainda não resolveu. Como dizia alguém, "loucura é fazer sempre as mesmas coisas e esperar resultados diferentes"... :)

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  15. O problema das "sopas" é o de ser interpretado como desinteresse e a "loucura" é esperar que o "tempo" já tenha resolvido o que havia para resolver.
    R

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  16. E no meio disto tudo, uma gaja vive em águas de bacalhau, quando gosta mesmo é de mar aberto e ondulação forte. Nem que se afogue no final.
    R

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  17. R, o tempo sozinho resolve muito pouco. Ou bem que "a coisa" se está a resolver e esperar pode fazer sentido (é ler os sinais - está a ir para algum lado? que melhorou no passado mês? nos últimos três meses?), ou se o barco se está a afastar do cais, não é o tempo que o vai trazer de volta (demasiada confiança nas marés também não é boa ideia, isto é uma metáfora, ok, não é um modelo do real... ;) )

    Queres mar aberto? Abana o barco. Vai lá e pergunta. Cartas na mesa. Preto no branco. Sem prisioneiros.

    Podes cair à água e ficar lá sozinha. Ou caírem os dois. Ou ficar no barco. Mas os bacalhaus fogem logo todos. :)

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  18. :)
    Acho que já não sei ler os sinais... creio que o barco se estava a afastar, mas como eu não queria isso devo tê-lo arrastado de volta mas não sei se foi apenas em pensamento. A incerteza e o medo faz-nos perder o discernimento.

    Não gosto nada de cair sozinha em mar aberto... é escuro.
    R

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